Amor, me oferece uma música da Angela Ro Ro.
A mulher do segundo andar era uma senhora muito séria, de poucas palavras e pouca expressão. Ela morava no prédio da frente, aquele da Avenida Mestre Sala, com grandes janelas. E nós, no prédio de 04 andares da rua de trás, colado, quase um puxadinho desse que lhe descrevo. Minha mãe diz que aquele prédio é boa herança de quem teve sorte de comprar um bom lugar em nossa região, porque São Paulo segue em compartilhar espaços quadriculados aos seus moradores. As emoções estão cada vez menores, e para isso se faz necessária a existência de pequenos espaços. Mas naquele apartamento deve caber muita coisa. De longe, sempre observo o trabalho rotineiro de fechar e abrir cortinas. Desde sempre, reparo nela. Na verdade, gosto de reparar no mundo, em tudo à minha volta: em pessoas, em seus narizes, bocas e pés. Não é nada além de curiosidade, porque, na minha idade, o muito olhar pode ser interpretado como desejo, mas só tenho curiosidade mesmo. E, se tem alguém perto de mim, trato de imaginar ...