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Mostrando postagens de 2020

Como diz Emicida: "Tudo o que nóis tem é nóis."

Escrevi pela última vez por aqui em setembro, mas a regularidade de minha escrita apenas aumentou em 2020. Surgiram crônicas, poesias, bilhetes e cartas mentais. Existe uma frase que não tenho certeza se é da Clarice, mas diz o seguinte: "Escrevo como se fosse salvar a vida de alguém, talvez a minha." Penso que quando escrevo, me salvo um pouco. Me detenho do mundo e suas implicações nefastas. Dois mil e vinte para alguns é um ano apocalíptico, e para outros, um ano de aprendizado, mas no geral, estamos vivendo um ano pesaroso. Vou adjetivar assim, e deixo o termo gourmet sobre o novo normal para quem quiser, porque nesse texto minha análise é demasiadamente humana e emocional.   Digo isso, porque se normaliza de forma escancarada o que deveria nos conscientizar para construirmos uma humanidade melhor. Sei que deixar a rotina da comum liberdade de forma abrupta é pesaroso, ainda mais quando se teme um inimigo invisível que mata rapidamente. E chega sem pedir licença, apen...

O que aprendi não sendo CEO antes dos 30 anos.

O mercado de trabalho e as escolas de negócios acabam se encontrando em linhas tênues, que na verdade são acentuadas. Principalmente, quando pensamos no contexto de pessoas. Afinal, o mercado cobra prática, e a academia cobra titulação. E no meio do caminho, existe uma multidão tentando se encontrar em algo que se alinhe ao seu propósito pessoal, mas que garanta o pagamento dos boletos. Porque é bonito dizer que se ama tal atividade, mas o mundo é prático demais para vivermos apenas de amor quando não se é herdeiro. Mas o debate do texto não é simplesmente esse, quero falar sobre questões conjunturais do Brasil. E eu espero que essa reflexão te traga um pouco de sossego e inquietação. Pode se tratar de um sentimento ambíguo. Antes de tudo, quero afirmar que tenho grande admiração pela academia, mas quero discordar sobre uma falácia que ouvi algumas vezes em sala de aula em diferentes ambientes: Apenas grandes profissionais são diretores antes dos 30 anos. Esse contexto é pífio, afinal,...

O que aprendemos conversando?

Assistindo The Midnight Gospel (O evangelho da meia-noite), série animada de ficção científica do Netflix, comecei a pensar e repensar sobre a importância de uma conversa. A série trata de questões filosóficas, onde o personagem principal realiza viagens em outras dimensões e acaba tendo contato com outros personagens, onde acontecem reflexões existencialistas através dessas conversas. Minha descrição pode parecer simplista, mas gostaria de compartilhar com você que refletir é simples, afinal fazemos isso constantemente. Entretanto, compreendo que existem contextos que acabam pedindo mais de nós. Por cobrar referenciais.  Mas pensando especificamente em filosofia, os conceitos que são rotulados de forma incompreensível, surgiram de conversas em praças, e também do entendimento de mundo dos pensadores. Ou seja, o principio é simples. Por agora, meu objetivo não é me aprofundar em questões históricas, mas minha proposta é ressaltar como alguns conceitos surgem através de conve...

Na favela, cor é alvo.

Geralmente escrevo e envio o texto mensal do blog na primeira semana do mês, mas precisei de mais tempo para entender o mundo, digerir notícias e acalmar meus ânimos. São tempos trabalhosos, porque percebo uma série de valores que estão distorcidos nesse mundão. E se equilibrar na corda bamba é um exercício que exige muito de quem tropeça no ar. Poderia descrever o desmonte que o SUS (Sistema Único de Saúde) está passando nos últimos anos, ou falar sobre o Enem que ainda não foi adiado em meio a uma pandemia, mesmo o Brasil sendo um país onde 40% de pessoas ainda não têm acesso à internet. Sendo assim, fica evidente que boa parte dos estudantes não conseguem acompanhar o ano letivo em meio ao distanciamento social.  Mas no dia 18/05/2020 João Pedro morreu, ele foi assassinado pelo Estado; eu não o conhecia, mas fiquei muito triste com a morte de uma criança assassinada dentro de casa entre familiares e amigos. Segundo o informativo de Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no B...

Por que a solidão incomoda tanto?

Os últimos textos que compartilhei acabei trazendo dados, e posteriormente indicando uma pauta de reflexão. Mas diferente dos demais, não vou trazer dados para analisarmos. Vamos pensar juntos sobre solidão, temática que venho refletido antes mesmo da pandemia nos impor isolamento social. Já pensou o motivo da solidão incomodar tanto? O sistema social da atualidade impõe um modelo de felicidade onde além de estar feliz, é preciso promover essa felicidade nas redes sociais. Existe uma reafirmação desse sentimento que acontece de forma continua e inconsciente. E mesmo quando estamos obrigatoriamente sozinhos, nossas conexões digitais se tornaram o meio para escaparmos da sensação de se estar só.  Penso que os sentimentos merecem ser vividos em sua completude, mas a sensação que tenho, é que o pior da solidão é estar consigo. Sempre gostei de sair sozinho, apesar de adorar estar com pessoas. Quando posso vou ao cinema, teatro, lanchonetes, saio sem rumo ...

Covid-19 e o Brasil: A sociedade do colapso.

Ao longo da história a humanidade viveu uma série de pandemias, e sobre elas conhecemos de forma desapercebida seus detalhes e impactos. Chegamos ao ano de 2020 e uma de suas novidades é o Covid-19 (Corona vírus): uma pandemia que pede isolamento social. Tendo seu começo na China em 2019, e depois de um forte impacto na Europa chegou ao Brasil nos deixando em atenção. Agora compartilhamos preocupações breves e futuras sobre economia, políticas públicas e qualidade de vida.  Poderia citar sobre o processo de transmissão, sintomas e recuperação, indicando detalhes sobre o grupo de risco, mas minha intenção é refletirmos sobre outros pontos que esse cenário está trazendo para nós. Algumas pessoas estão vivendo esse momento de forma apocalíptica justificando uma ação divinamente justiceira sobre as nações, outros indicando que se trata de uma transição cósmica, onde a humanidade precisa se atentar para melhorar seus valores. Mantenho meu respeito às crenças em sua totalidade, ...

A igreja evangélica no Brasil não é teológica, é política.

Tenho refletido bastante sobre o papel da igreja evangélica na sociedade, e faço o recorte dessa comunidade porque é a qual tenho conhecimento desde minha tenra infância.  Não estou intencionado a fazer nenhum ataque, mas contextualizar fatos atuais desse ator social.  No último censo do IBGE em 2010, o Brasil estava com o total de 42,3 milhões de evangélicos no país, apresentando uma projeção a maior após o ano de 2020. Um dos motivos desse aumento é a transição religiosa que as pessoas acabam fazendo ao longo da vida, e também o refinamento no discurso pregado que mistura psicologia comportamental na aplicação bíblica. O foco desse texto não é abarcar índices do crescimento quantitativo desse grupo, mas sim entender qual é o posicionamento de uma comunidade com voz governamental que propõe a ocupação de uma nação laica. Lembrando que o conceito laico indica o direito democrático de exercício religioso pessoal, sem imposição. É livre. O propósito maior ...

O que vem após o setembro amarelo?

É muito importante pensar no setembro amarelo, porque é o mês da campanha nacional de combate ao suicídio. Algo que foi iniciado em 2015, e graças as mídias sociais ganha maior notoriedade no período. Entretanto é necessário pensar no suicídio ao longo do ano, e também nas demais questões de saúde mental que norteiam a atualidade. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), houve um aumento nesse índice com relação ao Brasil, comparado ao restante do mundo que está em recuo com relação a essa questão. Em 2019, foi identificado um aumento de 7% nos últimos seis anos.  Penso que antes da decisão de tirar a própria vida, existem fatores anteriores que norteiam essa ação. Claro que isso não é um padrão, mas a maioria dos casos está atrelado à depressão. Minha avó materna teve depressão por muitos anos antes de falecer, mas vim entender o que era a doença de fato quando uma colega de trabalho foi afastada. Cito esse exemplo porque descobri que a atenção acaba se voltando na ...