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O que aprendemos conversando?

Assistindo The Midnight Gospel (O evangelho da meia-noite), série animada de ficção científica do Netflix, comecei a pensar e repensar sobre a importância de uma conversa. A série trata de questões filosóficas, onde o personagem principal realiza viagens em outras dimensões e acaba tendo contato com outros personagens, onde acontecem reflexões existencialistas através dessas conversas. Minha descrição pode parecer simplista, mas gostaria de compartilhar com você que refletir é simples, afinal fazemos isso constantemente. Entretanto, compreendo que existem contextos que acabam pedindo mais de nós. Por cobrar referenciais.  Mas pensando especificamente em filosofia, os conceitos que são rotulados de forma incompreensível, surgiram de conversas em praças, e também do entendimento de mundo dos pensadores. Ou seja, o principio é simples. Por agora, meu objetivo não é me aprofundar em questões históricas, mas minha proposta é ressaltar como alguns conceitos surgem através de conve...

Na favela, cor é alvo.

Geralmente escrevo e envio o texto mensal do blog na primeira semana do mês, mas precisei de mais tempo para entender o mundo, digerir notícias e acalmar meus ânimos. São tempos trabalhosos, porque percebo uma série de valores que estão distorcidos nesse mundão. E se equilibrar na corda bamba é um exercício que exige muito de quem tropeça no ar. Poderia descrever o desmonte que o SUS (Sistema Único de Saúde) está passando nos últimos anos, ou falar sobre o Enem que ainda não foi adiado em meio a uma pandemia, mesmo o Brasil sendo um país onde 40% de pessoas ainda não têm acesso à internet. Sendo assim, fica evidente que boa parte dos estudantes não conseguem acompanhar o ano letivo em meio ao distanciamento social.  Mas no dia 18/05/2020 João Pedro morreu, ele foi assassinado pelo Estado; eu não o conhecia, mas fiquei muito triste com a morte de uma criança assassinada dentro de casa entre familiares e amigos. Segundo o informativo de Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no B...

Por que a solidão incomoda tanto?

Os últimos textos que compartilhei acabei trazendo dados, e posteriormente indicando uma pauta de reflexão. Mas diferente dos demais, não vou trazer dados para analisarmos. Vamos pensar juntos sobre solidão, temática que venho refletido antes mesmo da pandemia nos impor isolamento social. Já pensou o motivo da solidão incomodar tanto? O sistema social da atualidade impõe um modelo de felicidade onde além de estar feliz, é preciso promover essa felicidade nas redes sociais. Existe uma reafirmação desse sentimento que acontece de forma continua e inconsciente. E mesmo quando estamos obrigatoriamente sozinhos, nossas conexões digitais se tornaram o meio para escaparmos da sensação de se estar só.  Penso que os sentimentos merecem ser vividos em sua completude, mas a sensação que tenho, é que o pior da solidão é estar consigo. Sempre gostei de sair sozinho, apesar de adorar estar com pessoas. Quando posso vou ao cinema, teatro, lanchonetes, saio sem rumo ...

Covid-19 e o Brasil: A sociedade do colapso.

Ao longo da história a humanidade viveu uma série de pandemias, e sobre elas conhecemos de forma desapercebida seus detalhes e impactos. Chegamos ao ano de 2020 e uma de suas novidades é o Covid-19 (Corona vírus): uma pandemia que pede isolamento social. Tendo seu começo na China em 2019, e depois de um forte impacto na Europa chegou ao Brasil nos deixando em atenção. Agora compartilhamos preocupações breves e futuras sobre economia, políticas públicas e qualidade de vida.  Poderia citar sobre o processo de transmissão, sintomas e recuperação, indicando detalhes sobre o grupo de risco, mas minha intenção é refletirmos sobre outros pontos que esse cenário está trazendo para nós. Algumas pessoas estão vivendo esse momento de forma apocalíptica justificando uma ação divinamente justiceira sobre as nações, outros indicando que se trata de uma transição cósmica, onde a humanidade precisa se atentar para melhorar seus valores. Mantenho meu respeito às crenças em sua totalidade, ...

A igreja evangélica no Brasil não é teológica, é política.

Tenho refletido bastante sobre o papel da igreja evangélica na sociedade, e faço o recorte dessa comunidade porque é a qual tenho conhecimento desde minha tenra infância.  Não estou intencionado a fazer nenhum ataque, mas contextualizar fatos atuais desse ator social.  No último censo do IBGE em 2010, o Brasil estava com o total de 42,3 milhões de evangélicos no país, apresentando uma projeção a maior após o ano de 2020. Um dos motivos desse aumento é a transição religiosa que as pessoas acabam fazendo ao longo da vida, e também o refinamento no discurso pregado que mistura psicologia comportamental na aplicação bíblica. O foco desse texto não é abarcar índices do crescimento quantitativo desse grupo, mas sim entender qual é o posicionamento de uma comunidade com voz governamental que propõe a ocupação de uma nação laica. Lembrando que o conceito laico indica o direito democrático de exercício religioso pessoal, sem imposição. É livre. O propósito maior ...

O que vem após o setembro amarelo?

É muito importante pensar no setembro amarelo, porque é o mês da campanha nacional de combate ao suicídio. Algo que foi iniciado em 2015, e graças as mídias sociais ganha maior notoriedade no período. Entretanto é necessário pensar no suicídio ao longo do ano, e também nas demais questões de saúde mental que norteiam a atualidade. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), houve um aumento nesse índice com relação ao Brasil, comparado ao restante do mundo que está em recuo com relação a essa questão. Em 2019, foi identificado um aumento de 7% nos últimos seis anos.  Penso que antes da decisão de tirar a própria vida, existem fatores anteriores que norteiam essa ação. Claro que isso não é um padrão, mas a maioria dos casos está atrelado à depressão. Minha avó materna teve depressão por muitos anos antes de falecer, mas vim entender o que era a doença de fato quando uma colega de trabalho foi afastada. Cito esse exemplo porque descobri que a atenção acaba se voltando na ...

2019: O ano em que perdi meu apêndice!

O ano em que completei 29 anos me fiz mais menino, e mais homem também. Fiquei em estado de antítese. Desde de muito cedo me forcei a não chorar por nada, e por ninguém, mas 2019 me arrancou lágrimas necessárias. Chorei. Tive um desague.  Como de costume, tive meus períodos de reclusão particular. Sumi um pouco, tentei me encontrar, e até agora sigo nesse rumo. Ainda é tudo muito complexo, não tenho respostas minhas ainda, por isso, aquietai. Não esperem de mim a força que não me cabe mais. É importante ser resiliente, mas é preciso esmorecer um pouco. Refazer a rota, se perder aqui e ali, não ver graça em nada. Se reinventar.  Vejo muita gente reclamando desse ano, e pondo esperança em 2020. Novo ano, novos ciclos e projetos. E me incluo nesse contexto, mas no final o que nos cabe mudar antes desse novo ano chegar? Não sei dizer, ainda estou refletindo.  Uns dizem que essa turbulência sem cinto é o retorno de saturno, no meu caso, ali beirando os 30 anos, ...