A igreja evangélica no Brasil não é teológica, é política.
Tenho refletido bastante sobre o papel
da igreja evangélica na sociedade, e faço o recorte dessa comunidade porque é a
qual tenho conhecimento desde minha tenra infância. Não estou intencionado a
fazer nenhum ataque, mas contextualizar fatos atuais desse ator social. No
último censo do IBGE em 2010, o Brasil estava com o total de 42,3 milhões de
evangélicos no país, apresentando uma projeção a maior após o ano de 2020. Um
dos motivos desse aumento é a transição religiosa que as pessoas acabam fazendo
ao longo da vida, e também o refinamento no discurso pregado que mistura psicologia
comportamental na aplicação bíblica.
O foco desse texto não é abarcar índices
do crescimento quantitativo desse grupo, mas sim entender qual é o posicionamento
de uma comunidade com voz governamental que propõe a ocupação de uma nação
laica. Lembrando que o conceito laico indica o direito democrático de exercício
religioso pessoal, sem imposição. É livre.
O propósito maior de uma religião é
sua espiritualidade, mas a igreja evangélica no Brasil é conservadora e se
coloca em uma posição moral superior à outras religiões. Isso ocasiona a união desse
grupo a partir de uma barganha, onde havendo um bolo a ser assado, os pedaços
precisam estar definidos antes disso. Por isso, suas ações estão cada vez mais
articuladas com o propósito de usar a sujeição alheia para a bem feitoria
pessoal de alguns indivíduos. Por exemplo, o candidato apoiado pela igreja que
deve ser lembrado pelo rebanho como opção de voto. Apesar do voto ser um
direito adquirido como concepção pessoal e secreta.
A fé se tornou um mercado, virou nicho
que faz parte da economia. Passagens bíblicas se tornaram emblemas de camiseta
vendidas aos montes, a formiga se converteu, a fé motivacionalista movimenta uma
indústria fonográfica e gráfica; fora os pastores que aparecem na Forbes como milionários
da fé. Mas não falo aqui dos pastores que estão na periferia tendo que bater
metas financeiras para entregar os valores nas sedes locadas nas regiões centrais
das cidades onde estão; cito os grandes pastores que se intitulam apóstolos,
bispos e por aí vai. Homens poderosos. Claro que estão todos dentro do mesmo
sistema, mas é preciso estar atento a centralidade do poder, e qual é o
trabalho em rede que as igrejas estão fazendo para terem formado uma bancada no
congresso.
Analisando esse espaço, chegamos também
à teologia da prosperidade. A teologia da prosperidade se constituiu fortemente
a partir dos anos 70 e 80, tendo meios de levantamento financeiro através de igrejas
pentecostais e neopentecostais. E atualmente, essas grandes igrejas que
propunham prosperidade para cativar membros, agora se colocam ocupando espaços
constitucionais com discursos que destoam da constituição, e da necessidade do
Estado civil de direito.
E fica evidente a partir desse ponto
que a igreja não se apresenta através das premissas eclesiásticas, mas sim,
através de alianças políticas. Por isso,
é importante para esse organismo doutrinar seus componentes sem questionar suas
ações, porque pensar é transgredir. Tudo pode se tratar de uma vontade soberana
que não carece de muita explicação, até mesmo as estratégias para alcance de
mais poder definidas por homens brancos, de terno, fala mansa e bíblia com
letras douradas em um púlpito luxuoso.
Por Almir Santana
Por Almir Santana
Parabéns pelo texto, como você é uma pessoa que viveu na igreja evangélica, nada melhor que alguém do meio pra poder explanar uma opinião sincera. Bem, não só a igreja evangélica virou um antro politico, como a católica também, depois que eu comecei a estudar sobre politica e filosofia eu sempre vi religião com outros olhos, não que eu seja incrédulo ou coisa do tipo, mas quem tá de longe consegue ver a manipulação que ocorre nesses pandemônios religiosos. Seu texto é um tapa de luva, na cara de quem está cego pela "fé", mais uma vez, parabéns!!!
ResponderExcluirMuito obrigado por acompanhar meus textos, e colaborar com suas percepções, Carlão! Um grande abraço
ExcluirBelíssimo texto, belíssima visão sobre esse sistema, sim um sistema movido por alianças políticas, financeiras e status, quem tem mais ganha notoriedade, cargos e títulos, assim tornam -se referências de "cristãos" e " espiritualidade", nós que pensamos diferente disso ganhamos o título de desviados, muito triste tudo isso, mesmo assim sigo praticando o que nosso Deus ensinou.
ResponderExcluirUm grande abraço meu amigo.
Jorge Alves (bobo)
Bobo, quanto tempo! Muito obrigado pela leitura, e por aparecer por aqui. Um grande abraço
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