2019: O ano em que perdi meu apêndice!


O ano em que completei 29 anos me fiz mais menino, e mais homem também. Fiquei em estado de antítese. Desde de muito cedo me forcei a não chorar por nada, e por ninguém, mas 2019 me arrancou lágrimas necessárias. Chorei. Tive um desague. 

Como de costume, tive meus períodos de reclusão particular. Sumi um pouco, tentei me encontrar, e até agora sigo nesse rumo. Ainda é tudo muito complexo, não tenho respostas minhas ainda, por isso, aquietai. Não esperem de mim a força que não me cabe mais. É importante ser resiliente, mas é preciso esmorecer um pouco. Refazer a rota, se perder aqui e ali, não ver graça em nada. Se reinventar. 

Vejo muita gente reclamando desse ano, e pondo esperança em 2020. Novo ano, novos ciclos e projetos. E me incluo nesse contexto, mas no final o que nos cabe mudar antes desse novo ano chegar? Não sei dizer, ainda estou refletindo. 

Uns dizem que essa turbulência sem cinto é o retorno de saturno, no meu caso, ali beirando os 30 anos, mas tenho entendido que nem os astros podem justificar o que precisamos aprender com a vida. Por isso, tenho reparado cada detalhe da minha existência. 

Aprendi que trabalho precisa ter um propósito particular, porque vivemos em um mundo de resultados, e realização pessoal ainda é mais importante que encarreiramento. Amo estudar, aprender me motiva para existir maior, mas descobri que titulações são apenas titulações quando não temos a oportunidade de colocar nossos conhecimentos em prática. 

Tenho procurado cuidar da minha saúde, colocando a gastrite no lugar dela, a ansiedade controlada sob exercícios mentais diários, mas mesmo assim, o nosso corpo pode trazer alguns sustos repentinos, afinal quando você sai de casa em uma segunda-feira para trabalhar, não é esperado terminar o dia tomando uma anestesia geral. 
E lá se foi um apêndice inflamado, e sem muita utilidade, mas que me assustou um pouco. Me tirou da rotina, dos meus compromissos e entregas. Mas não me tirou desse plano! Sigo com muitos dias para serem vividos. Como diz Letrux: Vai render!

Falar de Letrux é lembrar do meu flerte revival, porque mesmo achando que controlo meus sentimentos, tive que ser lembrado que não. Em 2019 me apaixonei como não acontecia há anos, me apaixonei com a vontade de quem se arrisca aos sentimentos vastos. 
Nem sei o que é amor, mas me encantei com a sinergia identificatória que soma mais que um match ou biscoitos. De tudo isso, só permaneço não entendendo muito sobre vontades instantâneas, então recolhi meu afeto pela falta de reciprocidade. Ah, só não aprendi a lidar com a saudade que essa estória me causa. Mas quem disse que precisamos aprender tudo de uma vez? 

Ainda falando de aprender, tive que aprender que limitei Deus durante muitos anos em minha espiritualidade. E que comunidades religiosas são importantes, mas a coerência é mais importante que questões dogmáticas. Minha fé é o amor, o respeito e a empatia. Apesar de todo caos, o paraíso são os outros. 

Enfim, talvez meu retalho de relatos esteja um tanto poético, mas a escrita é um processo que começou para mim como poesia. E hoje, não sei se escrevo prosa, crônica ou poesia, tá tudo junto, morando em mim. Só espero que minhas palavras encontrem lugar, mesmo eu não sabendo onde ele é. Recado parafraseado: Esse ano quase morri, mas ano que vem, eu não morro. 

Por Almir Santana





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