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Cuide de si e de quem te quer bem

Uma amiga muito querida sempre diz que gosta de ler meus textos sobre amor, mas na verdade, eu não sei escrever sobre amor. Eu escrevo sobre como me relaciono com meus afetos, desamores e todas as histórias que surgem dentro da minha mente. Elas não são mentira, apenas nunca acontecerão. Pelo menos da forma que eu escrevo. Por isso, passei a apagar muitos textos que escrevi ao longo de 2022. Por acaso, eu e minha amiga estávamos conversando sobre amor, paixão e vontade recentemente. Afinal, a gente gosta de batizar os sentimentos afetuosamente, mas o caminho é mais simples do que a gente pensa: tudo cabe na vontade! Todo começo é pautado em interesse, vontade e desafio.  O interesse move esforços e faz com que distâncias sejam desconsideradas. Então, segundas-feiras se tornam finais de semana. Não tô sendo fantasioso a ponto de desconsiderar as responsabilidades do cotidiano, mas todo mundo que já se apaixonou viveu algo similar, mesmo sem perceber. Porque a vontade de presença é o...

A primeira crônica de 2022 para Ana e Paulo

Ana andava cansada de tudo. O ano anterior havia sido dolorido demais, pesado por uma série de motivos. Então, decidiu deixar sua cidade. Anápolis já não cabia mais nada de si. Ela precisava expandir. Chegou em São Paulo e fez morada entre o cinza da cidade. Voltou a escrever poesias mesmo errando algumas conjunções, vírgulas e afetos. 2022 chegou, e ela conheceu Paulo na internet de forma despretensiosa. Pense em um rapaz bonito, alto, com um sorriso largo, olho rasgado e uma docilidade nas palavras. Ana estava embrutecida. Calejada por ter vivido curtas tragédias sentimentais. Por isso, havia decretado um hiato eterno para afetividades. Vamos usar o termo eterno para fingirmos que se tratava de uma decisão irrevogável, mas na verdade, ela só queria dias de sossego. Mas Paulo havia cismado com Ana. E isso acontecia, porque algum ritmo em comum havia feito com que aquele encontro acontecesse.  No final de janeiro, se encontraram na casa da Ana. Para um primeiro encontro, já havia m...

Vamos tomar Doiis Cafés e mais alguns?

A maioria dos meus textos são compostos com títulos terminados com interrogações. São perguntas de mim mesmo para o mundo. Para alguns, isso é estratégia para call to action (termo em inglês utilizado no Marketing para chamar a atenção de quem recebe uma mensagem), e talvez tenha sido assim em algum momento, porque como especialista em Comunicação, algumas coisas são mais naturais do que pensadas quando eu escrevo. Entretanto, meus títulos com interrogações fazem mais que isso em mim. Não são apenas textos ou frases para chamar a atenção. É sentido vasto de muitas conversas que aconteceram e acontecerão. É um começo, meio e despedida de alguns assuntos.  Desde o começo da pandemia tenho tentado me colocar no mundo da forma mais justa possível, onde me ajeito entre caminhos e palavras. Talvez eu não seja tão parecido com o Almir de 02 anos atrás. Mas ainda sou o Almir, e se você não conhece outro, volte aqui, preciso me apresentar a você.  Lya Luft é uma das escritoras que mai...

Por que a sexualidade alheia incomoda tanto?

Se você estava com saudades de novos textos, preciso dizer que eu estava com saudades de escrever.  Então, decidi falar sobre sexualidade porque é um tema importante e recorrente na mente das pessoas. Afinal, se trata de algo natural, mas para algumas pessoas é um tema absurdamente incômodo.  E por que incomoda tanto falar sobre sexualidade? Porque infelizmente vivemos em uma sociedade extremamente conservadora. O Brasil não é o país do futebol, bunda e praia, somos um país problemático. O Brasil é o país que mais mata transsexuais no mundo. E que tem recorrência de uma morte por homofobia a cada 23 horas. Ou seja, pessoas estão morrendo apenas por serem quem são. Em 2021, um rapaz de Santa Catarina andava na rua e foi abordado por homens que o levaram, abusaram de seu corpo e tatuaram dizeres homofóbicos nele. Em Recife, uma mulher trans estava numa praça, um adolescente passou e jogou gasolina nela e ateou fogo em seguida. Ela não resistiu e morreu dias depois em um hospital...

O que você sabe sobre a favela?

Há alguns meses ouvi uma história que me dá náuseas só de lembrar. Uma amiga comentou que na escola particular em que ela estagiava, alunos do sexto ano levantaram uma pauta: a favela. As crianças começaram a falar sobre suas percepções e o que haviam ouvido em casa: - Favela só tem bandido e gente perigosa! - Meu pai disse que na favela o povo morre porque só faz maldade. - Na favela todo mundo passa fome. E a estagiária que estava com a turma naquele período começou a explicar a dinâmica da favela, e que não se tratava apenas de um espaço com criminosos. O problema é que alguns pais fizeram contato com a escola no dia seguinte, porque esse assunto não era pauta para se tratar com crianças. Ainda mais sobre favela, imagina se elas acabam seguindo alguma influência de lá, né? Estamos falando de 2019 e de uma escola tradicional, onde seu público tem dinheiro e é majoritariamente branco. Reforço esse ponto, porque a favela tem cor e nela a cor é alvo. Quando eu era aprendiz em um importa...

Carta aberta sobre o Brasil de 2021

Sei que a ideia é que exista recorrência de textos no blog, e eu abraço essa necessidade. Entretanto, o mundo anda denso, e eu ando digerindo tudo em um tempo mais lento. Leituras com maior pausa, textos com liberdade para acontecer, e um dia de cada vez. Gostaria de falar sobre tantas coisas!  Descrever o movimento mundial contra estatuas ao redor do mundo, e compartilhar que o simbolismo histórico ligado a morte, genocídio e exploração de povos originários estão sendo combatidos. E isso me dá uma curta esperança de que esses símbolos sejam retirados da sociedade em um futuro em que pessoas não sejam presas, indiciadas por vandalismo e marginalizadas.  Ou fazer uma análise sobre como o mercado se aproveita de causas sociais, como o mês do orgulho LGBTQIA+ para fazer representação, ignorando fatores que constroem representatividade. Minha fala não é generalista, mas observar o mercado de trabalho e as demandas sociais colocadas como produto, não fortalecem a causa no combate a...

Meu primeiro MC Lanche

Na última semana estava ouvindo um episódio de janeiro de 2021 do podcast da Nath Finanças, onde ela teve uma conversa muito bacana com a Eliane Dias, empresária dos Racionais. Tenho grande admiração por ambas, mas o que me marcou foi uma fala da Nath Finanças, onde ela relatou que foi ao MC Donald’s apenas quando começou a trabalhar. E logo de cara me identifiquei, porque foi igual para mim. Meus pais não tinham grana para passeios, lanches em shopping ou viagens. A gente vivia na órbita do necessário. Recordo que eu tinha acabado de completar 17 anos, era Menor Aprendiz em um dos maiores bancos do país. No primeiro dia de trabalho me deparei com aquele mar de computadores em um andar vazio na hora do almoço, e eu pensei: um dia terei um em casa também. Foi um misto de emoções aquele processo, porque até então não conhecia pessoas com rotina de viagem para o exterior, ou com pais que haviam tido formação superior. Era um mundo à parte para mim. Meu pai era porteiro, minha mãe aten...