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Por que a solidão incomoda tanto?

Os últimos textos que compartilhei acabei trazendo dados, e posteriormente indicando uma pauta de reflexão. Mas diferente dos demais, não vou trazer dados para analisarmos. Vamos pensar juntos sobre solidão, temática que venho refletido antes mesmo da pandemia nos impor isolamento social. Já pensou o motivo da solidão incomodar tanto? O sistema social da atualidade impõe um modelo de felicidade onde além de estar feliz, é preciso promover essa felicidade nas redes sociais. Existe uma reafirmação desse sentimento que acontece de forma continua e inconsciente. E mesmo quando estamos obrigatoriamente sozinhos, nossas conexões digitais se tornaram o meio para escaparmos da sensação de se estar só.  Penso que os sentimentos merecem ser vividos em sua completude, mas a sensação que tenho, é que o pior da solidão é estar consigo. Sempre gostei de sair sozinho, apesar de adorar estar com pessoas. Quando posso vou ao cinema, teatro, lanchonetes, saio sem rumo ...

Covid-19 e o Brasil: A sociedade do colapso.

Ao longo da história a humanidade viveu uma série de pandemias, e sobre elas conhecemos de forma desapercebida seus detalhes e impactos. Chegamos ao ano de 2020 e uma de suas novidades é o Covid-19 (Corona vírus): uma pandemia que pede isolamento social. Tendo seu começo na China em 2019, e depois de um forte impacto na Europa chegou ao Brasil nos deixando em atenção. Agora compartilhamos preocupações breves e futuras sobre economia, políticas públicas e qualidade de vida.  Poderia citar sobre o processo de transmissão, sintomas e recuperação, indicando detalhes sobre o grupo de risco, mas minha intenção é refletirmos sobre outros pontos que esse cenário está trazendo para nós. Algumas pessoas estão vivendo esse momento de forma apocalíptica justificando uma ação divinamente justiceira sobre as nações, outros indicando que se trata de uma transição cósmica, onde a humanidade precisa se atentar para melhorar seus valores. Mantenho meu respeito às crenças em sua totalidade, ...

A igreja evangélica no Brasil não é teológica, é política.

Tenho refletido bastante sobre o papel da igreja evangélica na sociedade, e faço o recorte dessa comunidade porque é a qual tenho conhecimento desde minha tenra infância.  Não estou intencionado a fazer nenhum ataque, mas contextualizar fatos atuais desse ator social.  No último censo do IBGE em 2010, o Brasil estava com o total de 42,3 milhões de evangélicos no país, apresentando uma projeção a maior após o ano de 2020. Um dos motivos desse aumento é a transição religiosa que as pessoas acabam fazendo ao longo da vida, e também o refinamento no discurso pregado que mistura psicologia comportamental na aplicação bíblica. O foco desse texto não é abarcar índices do crescimento quantitativo desse grupo, mas sim entender qual é o posicionamento de uma comunidade com voz governamental que propõe a ocupação de uma nação laica. Lembrando que o conceito laico indica o direito democrático de exercício religioso pessoal, sem imposição. É livre. O propósito maior ...

O que vem após o setembro amarelo?

É muito importante pensar no setembro amarelo, porque é o mês da campanha nacional de combate ao suicídio. Algo que foi iniciado em 2015, e graças as mídias sociais ganha maior notoriedade no período. Entretanto é necessário pensar no suicídio ao longo do ano, e também nas demais questões de saúde mental que norteiam a atualidade. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), houve um aumento nesse índice com relação ao Brasil, comparado ao restante do mundo que está em recuo com relação a essa questão. Em 2019, foi identificado um aumento de 7% nos últimos seis anos.  Penso que antes da decisão de tirar a própria vida, existem fatores anteriores que norteiam essa ação. Claro que isso não é um padrão, mas a maioria dos casos está atrelado à depressão. Minha avó materna teve depressão por muitos anos antes de falecer, mas vim entender o que era a doença de fato quando uma colega de trabalho foi afastada. Cito esse exemplo porque descobri que a atenção acaba se voltando na ...

2019: O ano em que perdi meu apêndice!

O ano em que completei 29 anos me fiz mais menino, e mais homem também. Fiquei em estado de antítese. Desde de muito cedo me forcei a não chorar por nada, e por ninguém, mas 2019 me arrancou lágrimas necessárias. Chorei. Tive um desague.  Como de costume, tive meus períodos de reclusão particular. Sumi um pouco, tentei me encontrar, e até agora sigo nesse rumo. Ainda é tudo muito complexo, não tenho respostas minhas ainda, por isso, aquietai. Não esperem de mim a força que não me cabe mais. É importante ser resiliente, mas é preciso esmorecer um pouco. Refazer a rota, se perder aqui e ali, não ver graça em nada. Se reinventar.  Vejo muita gente reclamando desse ano, e pondo esperança em 2020. Novo ano, novos ciclos e projetos. E me incluo nesse contexto, mas no final o que nos cabe mudar antes desse novo ano chegar? Não sei dizer, ainda estou refletindo.  Uns dizem que essa turbulência sem cinto é o retorno de saturno, no meu caso, ali beirando os 30 anos, ...

Disponibilidade afetiva

Há alguns dias li algo de Bauman, além de falar sobre tempos líquidos, e de como a sociedade capitalista coloca suas relações, ele indicou algo que me chamou muito atenção. Ele destacou que nas relações humanas existe um anseio pela conquista, e quando ela acontece, facilmente se perde o interesse. O ser humano é egocêntrico, e o processo de conquista é empolgante. É como se uma premiação fosse alcançada para deixar um troféu na estante, ou uma leitura proveitosa e esquecida. Após ler isso, pensei na proporção de relações rasas, no sexo, na curiosidade e vontade de se manter relações afetivas. E de fato não discordo dele, mas cheguei a um ponto que me fez repensar algumas cobranças que já me fiz. E entendi que disponibilidade afetiva é algo que não podemos esperar de todo mundo, afinal pessoas são diferentes, e com necessidades diferentes. Infelizmente uma história pode começar bem, mas chegando em um momento onde falta reciprocidade, interesse e desejo, fica evidente que a cont...

Onde está o desafio que você procura?

Desde 2015 estou em processo de transição de carreira, e esse processo transitório é muito significativo para quem precisa se encontrar através de novas vivências profissionais, porque as vezes você ganhará um pouco menos, estará em uma posição diferente do esperado em seu plano de carreira, mas estará se desenvolvendo. E não estou falando apenas de se desenvolver utilizando PROCV, falo de amadurecimento para a vida. Certas vezes seu desafio profissional será aprender a lidar com seu ego, ansiedade, e pressa para que tudo aconteça de forma rápida. Nesse tempo conheci profissionais que precisaram de um ano sabático fazendo mochilões pelo mundo, outros de uma pausa de dois anos na Europa para um mestrado, ou um tempo a mais para fazer voluntariado no Ásia. Dentro dessa órbita, a grama do outro acaba sendo mais bonita, verde e fértil. Conselho: Aceite seus ciclos, e trace seus planos pessoais. Tem gente que muda de país e não sai do lugar, você pode ir longe estando aonde está, é pr...