Disponibilidade afetiva



Há alguns dias li algo de Bauman, além de falar sobre tempos líquidos, e de como a sociedade capitalista coloca suas relações, ele indicou algo que me chamou muito atenção. Ele destacou que nas relações humanas existe um anseio pela conquista, e quando ela acontece, facilmente se perde o interesse.
O ser humano é egocêntrico, e o processo de conquista é empolgante. É como se uma premiação fosse alcançada para deixar um troféu na estante, ou uma leitura proveitosa e esquecida. Após ler isso, pensei na proporção de relações rasas, no sexo, na curiosidade e vontade de se manter relações afetivas. E de fato não discordo dele, mas cheguei a um ponto que me fez repensar algumas cobranças que já me fiz.
E entendi que disponibilidade afetiva é algo que não podemos esperar de todo mundo, afinal pessoas são diferentes, e com necessidades diferentes. Infelizmente uma história pode começar bem, mas chegando em um momento onde falta reciprocidade, interesse e desejo, fica evidente que a conta não vai fechar.
Todo sentimento que precisa ser levado apenas por uma pessoa, quando se é uma história de dois, saiba que será um fardo, não um afeto que te fará bem. Não espere que tudo mude, e que por um ato divino algo que não existe, passe a existir.  As pessoas vivem apenas o que querem, e o que se permitem. Não se cobre, e não cobre ninguém.
Cada um só pode dar e demonstrar o que sente. 
Dominguinhos canta que nem tudo na vida carece de explicação, e de fato não, porque para o evidente nos cabe apenas maturidade para aceitar o que foge de nosso controle. 
Ah, ainda nessa mesma música ele diz que vai vivendo apesar do amor que não recebeu, você se manterá vivo. O choro passa, a tristeza passa, e logo mais você voltará a se reconhecer. 

Além da leitura, deixo a música do Dominguinhos Carece de explicação, espero que sejam acalentados nesse dia de chuva.


Por Almir Santana 

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