Parafraseando Drummond

Eu sei que tenho feito certas pausas, e que voltando sempre me justifico. Por isso, saibam que de tempos em tempos escrever se torna algo que eu não gosto de fazer. Porque quando escrevo, mostro tudo de mim, e isso é coisa de alma. E penso que às vezes, a alma emudece. E a interpretação alheia pode ser muito imprecisa sobre o que sentimos e quem somos. 

E eu tenho falado muito nos últimos tempos, mas não necessariamente o que eu gostaria. Porque, até mesmo quando eu falo, algo em mim não se esgota. Há anos, li em algum livro onde o personagem dizia que nem com palavras, algumas dores não estancam. E parafraseando Drummond, meu bem, essa ferida as vezes sara amanhã, as vezes sara nunca. 

Esse ano, completei 33 anos, e em alguns dias, pensei absurdamente em meus erros e acertos. Me arrependi profundamente de tantas coisas. Porque, infelizmente, fazemos escolhas, e elas permeiam parte da gente ou de tudo o que temos. É um ralo que leva tudo, e em alguns casos pode ser tempo, dinheiro e vida. A gente adjetiva o que vale muito, e também o que custa caro. Não dá para voltar no tempo, então, o que resta é seguir, mesmo sem rumo. E agora, José? É isso, Drummond é o meu poeta favorito.

Por isso, quando eu nasci na cama de minha avó, acredito que algum anjo torto me aconselhou a ser gauche - torto -  na vida. E meu jeito desajeitado, é um pouco disso, e também do que ainda não sei dar o nome. Entretanto, para o que eu não sei dizer, eu abstratamente sei sentir.

Ando cheio de saudades. Tô longe de casa, dos meus e de tudo o que me faz maior, melhor e me torna grande. E esse é um peso que me faz muito pensar, e também me faz pequeno na maioria dos dias. Porque mesmo vivendo um sonho que foi pensando em algum momento, sonhos são feitos de realidade. E eu tenho pensado nesse mundo moinho que reduz tudo à pó. E a poeira é um grande perigo para alérgicos, assim, como eu. 

Então, que o antidoto sejam tempos melhores, mesmo sem previsão deles.

Por Almir Santana 



Comentários

  1. Almir, meu bem. Ninguém nunca está só. Cada um de nós leva um pouco dos que nós tocaram, física, espiritual e emocionante falando. Os silêncios são pausas necessárias para que possamos nos escutar e só depois então falar com e para os nossos! Não se cobre tanto, viva cada dia como ele se impõe e colecione as histórias para, depois compartilhar com a poesia que só você sabe enconudar para transcrever as suas experiências. Saudades, sempre!

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