O que você entende por autonomia afetiva?
Desde criança, a gente vai crescendo com um ideal sobre como é se relacionar; e também, a projeção de com quem se relacionar. É uma ideia normativa que está entre o parâmetro mínimo familiar da família que temos e dos casais da novela das oito que sofrem para um caralho, mas estão juntos no último capítulo. Tudo acaba sendo construído em um ideal da fantasia que após sofrer demais, a recompensa vem. É um sentimento cristão que permeia um campo perfeccionista. Cansei dele.
Além disso, existe a expectativa do primeiro beijo, da primeira transa, do primeiro namorado ou namorada. Das descobertas do corpo, dos desejos. Das contradições entre desejos e as moralidades religiosas que nos permeiam. Essa descrição para alguns é uma memória longínqua, porque, essa inicialização é adolescente.
Mas muito disso, vai estar presente em nossas vidas por muitos anos. Só que quanto mais velho, mais frustrado ou mais certo do que você quer, você estará. Mas até lá, a gente vai caminhar por muitos caminhos e escolher errado um tanto de coisas. Porém, não sei ainda o que é escolher certo na totalidade do mundo das escolhas. Digo isso, tendo em vista que se relacionar parece um decreto público cheio de certezas. Porém, pessoas são pontas de icebergs. Todo mundo lembra o que afundou o Titanic? Acho que sim.
Decepções são pequenas tragédias, são dores que doem o estômago, a alma. A Gal canta uma música do Caetano, e nela, ela diz: "viver é um desastre que sucede a alguns." E o ponto alto dessa canção para mim, é entender que dói. Que tudo dói. A certeza da dor é o caminho para a cura. Para tempos mais amenos, após o naufrágio. Penso que o entendimento de quem somos e o que queremos, é parte de um começo, onde a autonomia afetiva vai surgindo. Ouvi esse termo de meu terapeuta (João, obrigado por existir - sou seu fã). E fiquei refletindo sobre essa autonomia.
Eu sou um homem de 32 anos, mas, ainda tô amadurecendo muitas coisas dentro de mim. E esse processo deixa minha alma larga, eu vou expandindo. Vou lembrando de quem sou, do quero e gosto. Me faz saber o porque gosto de minha companhia, e porque alguém vai merecer ela. Afinal, a gente vai amando na tentativa de acertar. Porém, o amor é moeda de baixa valia em algumas situações. Por isso, é importante demais a gente ter autonomia afetiva. Não negociar o que é inegociável. E não vou discorrer esse tópico, porque cada relação funciona de uma forma para cada pessoa.
E por mais que andemos por caminhos íngremes, ando refletindo que a maior recompensa dessa jornada, é o que somos. Eu tenho muito orgulho dos meus valores, e eu desejo que você se reconheça com gentileza. Isso não é fácil, porque existem dias em que não me reconheço, mas logo depois me surge uma lembrança de quem é o Almir, e isso me faz querer viver. E viver todo amor que houver nessa vida, e isso não envolve especificamente uma vivência romântica com beijo de cerveja gelada. Se rolar, a gente agradece, mas se não, ainda dá pra se perceber feliz. Se perceba.
Um abraço,
Almir
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