Para que matar o amor romântico?

A estrutura social apresenta uma série de receitas sobre como deve ser o amor romântico, e também de como essa trajetória deve seguir. É tudo muito clichê e cheio de mesmice. Mesmo assim, isso não deixa de ser cativante. O amor cativa, a paixão castiga e o tesão faz com que a gente lembre que existem muitos desejos a serem desbravados. 

O romantismo não é um problema, ele está presente em filmes, livros, músicas e dentro da gente. Esse sentimento é gostoso, e eu não acho nenhum pouco piegas se permitir sentir, desde que exista reciprocidade dentro da história que você está vivenciando. Indiferente se homens ou mulheres, todo mundo em algum momento da vida precisa se permitir a cafonice ou a emoção. É errado ser emocionado? Essa questão é problemática, porque cada pessoa é um mundo. E no final, a gente só tem que garantir que não está perdendo tempo massageando ego alheio. 

Nos últimos anos ouvi algumas vezes que eu deveria desmistificar a idealização do amor romântico, e eu tenho tentado fazer isso sem perder a emoção e fé em boas coisas. Por isso, não espero viver um último capítulo de novela das oito que começa às nove. Porém, eu acredito piamente no amor, no respeito, no desejo. Na verdade. Parece tanta coisa, tanto requisito, mas eu vejo de forma simples. Diálogo e jogo limpo. 

Não existe a necessidade de matarmos o amor romântico, é necessário apenas sermos francos com tudo o que sentimos e também com quem quer que apareça. A matemática é simples, mas nem sempre dois e dois são quatro. Por isso, é necessário que se tenha empenho e muito cuidado com os afetos. 

Afinal, amar só se aprende amando. Cada história será única, cada vivência permanecerá somando ou subtraindo algo em nós. Só desejo que possamos mirar no amor sem acertar na solidão, porque pessoas não são perfeitas, mas compartilhar o amor que existe dentro de nós pode ser gostoso para um caralho. É isso.

Um abraço,

Almir 

Comentários

  1. Texto muito sensato e oportuno. O amor romântico, embora ouça muitos relatos contrários a sua existência (pensamento respeitável!), é algo tão especial que imagino que possa existir e que seja em nós o ponto de partida. É a reconheço com o eu poético que habita em cada um de nós..
    Parabéns pela sensível Almir..
    Com att,
    Will

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