Big Brother Brasil, Política e Violência

Em 2020, comecei a acompanhar o Big Brother Brasil por um óbvio motivo: ócio com muito tempo livre na pandemia. Atualmente, acompanho a edição de 2021 através das redes sociais. Entretanto, a participação de Lucas Penteado foi o que me fez prestar atenção no detalhe das falas dos participantes. 

Ele sofreu abuso psicológico, foi rejeitado pelo grupo da casa, e por fim, teve sua sexualidade invalidada. O que infelizmente acontece constantemente com outros jovens em diversos espaços. Devido a isso, me aprofundei em uma reflexão sobre a conjuntura atual. E qual o motivo, Almir?

Como o Brasil é um país de acordões, colocaram um presidente na Câmara do Deputados alinhado com os interesses pessoais da gestão atual, com a finalidade de alguns partidos ganharem cargos e ministérios. Então, agora será mais fácil seguir com a agenda governamental de Estado Mínino que o país vive desde 2016. O ano em que Temer aplicou o golpe institucional. E é importante se atentar a isso, porque esse fato reforça a minimização de direitos para o povo brasileiro.

O Brasil é um país periférico, onde os homens que estão nos podres poderes não têm como interesse atuar em pautas igualitárias. Porque como cristão, é mais bonito fazer caridade no final de cada ano do que aplicar o senso de justiça social. Talvez você esteja tentando encontrar a relação entre política e BBB, e eu te digo que a relação entre ambos temas é a atenção que você direciona para cada coisa. Pautas sobre sexualidade, raça e demais demandas sociais não deveriam incomodar apenas quando são expostas em um reality, mas sim, quando nos atentamos um pouco para dados e notícias. 

Nos últimos anos o número de jovens pretos assasinados apenas aumentou.

O Brasil ainda é o país que mata pessoas LGBT no mundo. Principalmente, pessoas trans, tendo uma estimativa de vida de 35 anos. Sendo que a estimativa de vida no país é de quase 80 anos. 

Índices de desigualdade social aumentam de forma absurda, inclusive a fome. 

Então, a maior vilã do país não é a Karol com K, mesmo ela não sendo uma pessoa legal. A maior vilã do país é a indiferença para o projeto de miséria que vivemos. Porque o país não está quebrado, temos um grupo de políticos direcionando esforços para interesses pessoais, e de grandes organizações. 

Por isso, ressalto aqui que somos livres para vermos na televisão o que quisermos, entretanto, é preciso reparar na realidade além das telinhas. 

Por Almir S. 

Comentários

  1. Análise perfeita e objetiva, Almir! 👏👏

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  2. Muito bom seu texto, Almir. Como sempre, você consegue reflexões profundas com um didatismo ótimo.

    Concordando bem com suas linhas, creio que problema é o BBB impor pautas que assim como elas surgem elas se vão.

    Essa militância lembra uma lógica de consumo, veste-se e se troca no dia seguinte com outra nova pauta, ou melhor, roupa - qual é a nova cor da moda que a Indústria percebeu que se produziu mais e portanto devem nos vender?

    Assim, deixamos de assimilar nossos entornos. É como que a simulação ultrapassasse a realidade em sua relevância.

    A urgência nos faz vestir primeiro, sem antes entender a origem daquele produto.

    Da mesma forma, alimenta um ostracismo anuviado: pelo menos em uma das realidades nós votamos pelo esquecimento de alguém. E na outra realidade, a de verdade, timidamente atravessamos a rua quando o diferente nos defronta.

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    1. Caio, muito obrigado por sua contribuição. Vc é incrível!

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