O que aprendi não sendo CEO antes dos 30 anos.


O mercado de trabalho e as escolas de negócios acabam se encontrando em linhas tênues, que na verdade são acentuadas. Principalmente, quando pensamos no contexto de pessoas. Afinal, o mercado cobra prática, e a academia cobra titulação. E no meio do caminho, existe uma multidão tentando se encontrar em algo que se alinhe ao seu propósito pessoal, mas que garanta o pagamento dos boletos.

Porque é bonito dizer que se ama tal atividade, mas o mundo é prático demais para vivermos apenas de amor quando não se é herdeiro. Mas o debate do texto não é simplesmente esse, quero falar sobre questões conjunturais do Brasil. E eu espero que essa reflexão te traga um pouco de sossego e inquietação. Pode se tratar de um sentimento ambíguo.

Antes de tudo, quero afirmar que tenho grande admiração pela academia, mas quero discordar sobre uma falácia que ouvi algumas vezes em sala de aula em diferentes ambientes: Apenas grandes profissionais são diretores antes dos 30 anos. Esse contexto é pífio, afinal, existe vida após os 30 anos.

Três décadas, um tanto de memórias, mas antes disso, existe uma singularidade na história de cada um, que potencializa nossas vivências e oportunidades. Você chegar aos 30 anos sendo Analista Júnior ou Diretor Executivo definem seu status, mas não o sucesso de quem você é em sua completude. E eu compartilho isso, pois durante muitos anos me questionava por não acontecer o esperado para minha carreira.

E isso me trazia dúvidas, inseguranças, investimentos em cursos que acabaram ficando obsoletos. Porque é preciso querer conhecer de forma plural, mas nunca saberemos de tudo! Por isso, é preciso identificar o que faz sentindo somado à aptidões pessoais. E buscar aliar técnica, atitude e projeto de vida.

O que eu aprendi não sendo CEO antes dos 30 anos é que no Brasil o seu CEP fala muito de você, e que a desigualdade social é um uma perna que dá rasteira em muita gente. E que meritocracia acontece apenas quando existe equidade. E se você quer pauta para minha fala, aconselho que veja o estudo da OCDE (Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de 2019, onde indica que apenas 21% dos brasileiros entre 24 e 34 anos possuem ensino superior. Sendo que a média de outros países é de 44%. O Brasil está em desvantagem, mas dentro desse cenário, segundo o IBGE, quase 30% da população vive com até R$ 140,00 reais mensais. Por isso, se faz necessário observar os Brasis dentro do Brasil.

Precisei contextualizar, porque percebo pessoas vindas da periferia, assim como eu, se questionando sobre empregabilidade, e eu só queria registrar para elas que nossa saga é constante. E que mesmo não sendo CEO aos 30 anos, vencemos quando nos tornamos a primeira pessoa da família tendo graduação, pós-graduação, se esforçando muito para arranhar no inglês, e até mesmo chegando às fronteiras de outros países. Esse texto foi escrito para você, para mim, e para todos aqueles que seguem seus sonhos sem a romantização do sofrimento ou pobreza, porque temos a certeza de que a sobrevivência é o maior estimulo para quem almeja desbravar esse mundo.

Por Almir Santana


Comentários

  1. Perfeita análise!
    Verdade dura, realista, que faz a gente as vezes desanimar.
    Mas achei muito bonito a parte que temos que ser críticos e não desistir dos nossos sonhos mesmo assim.
    bjo

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    Respostas
    1. Muito obrigado por acompanhar meus textos, e deixar sempre seu parecer!
      Um grande abraço

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  2. Incrível! Ameniza a cobrança natural da fase dos 30 e traz luz para quem não vislumbra, mas deseja muito, a cadeira de CEO.

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