Letrux e minha estória amorosa.
Estava ouvindo uma sequência de músicas, cheguei em Futuros Amantes. Chico canta que amores serão sempre amáveis, e eu até concordo, é bonito de se ouvir. A música dá um conselho dizendo que não é para se afobar, afinal o amor pode esperar em silêncio. Poético, mas somente isso.Ontem um amigo me ligou pedindo um conselho em uma conversa descontraída: Almir, o que você acha sobre acontecer naturalmente?
Eu
disse: Naturalmente só chuva do céu, querido. Minha conta fecha
quando dois querem, isso é o natural para mim: a reciprocidade. Sem
grandes ações misticas ou algo do gênero. Vontade é algo pessoal
e intransferível.
Não
sei muito o que falar sobre amor, e sobre amar homens e mulheres. Só
sei que existe um tanto de vontades dentro de mim. Mas percebi nos
últimos tempos um certo medo cá dentro, medo de ficar triste
durante um período grande, e de não ser correspondido, assim como
estórias amorosas do passado. Fiquei com medo de ficar na merda,
ouvindo minha playlist bad, e me ver longe de quem quero estar perto.
Coisa que pode acontecer, afinal ninguém é obrigado a gostar de
ninguém, e cada um só pode dar o que têm em si. Depois de muito
pensar entendi que esse medo é simplesmente causado pelo receio de
não ser correspondido.
Até
chegar a essa conclusão tive conversas implícitas comigo mesmo.
Fiquei bolado sem muito motivo, pensei em finais trágicos sem
tragédia. Alguns culpam minha lua em peixes, mas atribuo esse tipo de
vivência ao que preciso entender sobre mim. O tal do amadurecimento. Esse
processo não é fácil, principalmente quando você entende o que
não foi dito. Coisa que faço bem.
E
entre os conselhos que dou, é que tente entender aquilo que não é
dito em suas relações, aqueles sinais cheios de sentido, aquele
afastamento à francesa. Não estou escrevendo nada de novo sobre o
solo, porque as relações podem ser rasas muito antes dos tempos
líquidos. Sei que certamente você esperará uma justificativa sobre
o que não entende, sobre a variância das pessoas, e entender que
não dá pra adivinhar o que acontece do outro lado acrescenta equilíbrio. Isso é custoso,
mas é precioso manter o eixo e entender quando a balança afrouxa.
Tomar nota disso não
é das tarefas mais fáceis, mas ainda faz parte da vida. E tudo o
que faz parte da vida mostra o quanto estamos vivos, e viver é isso,
aqui se abraça, ali se solta. Só não podemos perder nossas
referências e a esperança de de dias melhores, e a certeza que
amores virão. Gosto de Chico, mas prefiro Letrux dizendo que até
o amor ser bom, ele é tão ruim. E sobre tudo, existe amor depois do
amor.
Por Almir Santana
Letrux para vocês ouvirem comigo: https://www.youtube.com/watch?v=v9_woSmogPY
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