O que mudou no Networking?


Por volta de 2005 comecei a ouvir falar sobre Networking em um curso profissionalizante que participei, me diziam como isso seria fundamental para minha carreira. Mas nem sempre soube alinhar essa questão em meus relacionamentos, afinal mesmo eu sendo uma pessoa de fácil relacionamento interpessoal, havia em mim um certo receio de me aproximar de pessoas na gestão, ou até mesmo de alguém em uma posição acima da minha.

Não queria ser tido como mais um “puxa saco” papeador, ou simplesmente entendia que não poderia estender conversas além das minhas atividades. Era um ato sem muita consciência, mas optava por ficar quieto em momentos em que cabiam fala; havia medo de falar uma besteira. Se identificou? Por anos não soube estabelecer minhas relações, a insegurança sempre foi muito presente até que eu entendesse que ela era um ponto a ser melhorado, afinal a vida não pede da gente nada mais do que prontidão. A maturidade nos modifica quando nos permitimos.

Você não precisa ser visto para ser lembrado, você necessita ser percebido. Não simplesmente esperando ser lembrado como uma opção de indicação para uma cadeira, mas sim como alguém que se diferencia por suas habilidades técnicas e pessoais. Não adianta executar de forma excelente atividades, e não saber manter contato com seus colegas. Entretanto, ter mais amigos que o Roberto Carlos para mais forte poder cantar, e mesmo assim, não apresentar entregas diferenciadas, é ser ineficiente.

Não apresento uma receita resolutiva, afinal pessoas são diferentes. Hoje não me calo, entretanto falo quando necessário. E o principal ponto é ter interesse em estar rodeado de gente que te agregue de alguma forma. Relato isso, pois descobri quer ter alguém em sua vida como referência de mentoria é um presente.  

Compartilharei uma vivência muito significativa. Uma pessoa muito próxima me falava bastante sobre uma amiga que havia sido gestora dela, e em como apenas uma conversa com essa mulher somava. Claro que eu quis conhecê-la, e por um acaso necessário acabei conhecendo Sandrine.
Uma recifense de brilho no olho, fala firme e ar descontraído que em 30 minutos de conversa me chamou para a realidade em alguns pontos com relação à minha carreira. Compartilhei com ela meu receio sobre cursar uma especialização, afinal não obtive o retorno financeiro esperado no meu primeiro curso.

Ela me disse: Almir, a sua formação é responsabilidade tua. O mercado de trabalho não reage como queremos, objetivos precisam ser traçados. A gente não pode se apegar a cultura de estabilidade pública, porque essa não é a nossa realidade. É preciso ter sensibilidade, e fazer o que gosta. Fiquei mudo.

Repensei as decisões que tomei anteriormente, pois lembro que para a minha graduação o balizador de escolha foi fazer algo que me manteria na empresa dos meus sonhos, e depois iniciei uma pós-graduação para não deixar uma oportunidade de melhoramento curricular passar. Não me arrependo do caminho que trilhei, mas desde 2015 sigo em meu processo de transição de carreira até me encontrar de fato. Quase quatro anos, Almir? A vida é cíclica, o mercado de trabalho previsível. Ter caminho é melhor do que velocidade sem rumo.

Em 2016 fiz uma extensão em Gestão de Projetos Sociais, e no primeiro semestre de 2019 iniciei o curso de Comunicação e Mídias Digitais. E nesses últimos cursos me percebo satisfeito, sinto que faz sentido estudar o que tenho estudado. E que os assuntos de meu interesse se relacionam, e que tecnologia, comunicação e projetos sociais podem ser minha tríade perfeita.

Essa conversa foi ímpar. E mesmo Sandrine não sendo alguém que encontro para conversas regulares, foi alguém que acrescentou à outras conversas que havia tido anteriormente com professores, ex-colegas e amigos. A fala dela era o que eu precisava. Por isso, aconselho que tente pensar em alguém que gostaria de ouvir, e se não tiver alguém em mente, esteja aberto a isso. Networking não são os cartões de visita recebidos, mas sim referências que se diferenciam quando você relaciona um assunto a alguém de forma positiva.

Por Almir Santana

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