Ressignificar é preciso
2018 foi um daqueles anos de rolling in the deep (existem traduções bonitas e poéticas para essa expressão, mas entenda como ladeira abaixo). Um ano pesado; sinto que foram muitos anos vividos em um só. Aconteceram despedidas forçadas, e isso dá um nozinho na garganta, mas entendamos os tristes finais do ciclo da vida. Também me despedi de gente que seguiu para outro continente atrás de vida nova, mas o consolo do reencontro me tranquiliza. Me desfiz de vínculos tóxicos e abusivos, com o tempo aprendemos a priorizar nossa saúde mental.
Entre um entrar e sair de mês acompanhei a vida acontecendo, e senti desapontamento acompanhado por medo. Principalmente quando percebi que a fé se tornará instrumento de manipulação e propagação de ódio na sociedade, eu poderia justificar como política, entretanto falaram muito sobre Deus e uma justiça que parece injustiça.
Uma justiça que odeia o diferente e não acolhe, não me parece prática de fé, afinal amor moral não é amor. Talvez eu tenha percebido isso de forma tardia, mas a religião que segrega é apenas uma religião, e não se parece em nada com os ensinamentos de Cristo.
Sou enfático nisso, pois o contexto pede. E isso apenas reforça minha concepção de que a fé é libertária, e que a espiritualidade está cada vez mais distante das organizações que as igrejas se tornaram. É desafiador mudar a rota, mas é necessário. Sei que me ausentei de algumas pessoas, mas precisei estar só. Precisei me ressignificar enquanto pessoa. E meus caros, pensem que se trata em um processo de reavaliação de valores. Sendo assim, mergulhei cá dentro e já não sou o mesmo. Isso é bom ou ruim, Almir? Existem perguntas sem resposta, mas estando em paz, a conclusão é positiva. E a paz traz coragem, acrescenta ânimo e felicidade.
A paz dilui pesares, e eu decidi a diluição de pesares. Pensei em cada detalhe meu, e no que ouvi a vida inteira sobre quem sou, e também sobre o que entenderam sobre mim. E em sua grande maioria erraram, falaram coisas sem me perceber. Falha minha a falta do não quando necessário, e também de não ser incisivo com quem sou. Descobri que sou minha melhor companhia, apesar de gostar das demais companhias, gosto de passar horas circulando por aí entre o debulhar dos meus pensamentos. E quando você reconhece sua grandeza, a vida te rodeia de gente grande em valor, e isso é sem igual. Seu tato muda.
A jornada apresenta o desafio de se amar, e por fim, estar de peito aberto para amar quem quer que seja. Amar sem temer. Nada disso é fácil, mas ser encorajado na jornada acrescenta dias. Acrescenta a soma para aquilo que a gente acaba perdendo, me entende? O sentido de existir. E para existir não basta estar vivo entre desastres, mas sim, se refazer, se reencontrar. Ser quem é mesmo em uma realidade de retrocessos. Por isso, para alguns, feliz 1964, e para outros, todo amor que houver nessa vida. Por Almir Santana
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