Tempos de Diversidade
Quando decidi escrever esse texto comecei a pensar nas
empresas em que trabalhei, e em como a questão da diversidade é tratada em
nossa sociedade atualmente. Pensei em quantas mulheres diretoras conheci, e em
quantos negros vi em altos cargos. Refleti sobre os tabus normativos ligados à
sexualidade, religião, origem étnica, e em como o pobre interage em meio ao
sistema em que vivemos.
Mas de fato o que é Diversidade?
Segundo o dicionário Michaelis, diversidade é: Qualidade daquilo que é diverso, diferença, dessemelhança, variação, variedade. Conjunto que apresenta características variadas; multiplicidade.
Mas de fato o que é Diversidade?
Segundo o dicionário Michaelis, diversidade é: Qualidade daquilo que é diverso, diferença, dessemelhança, variação, variedade. Conjunto que apresenta características variadas; multiplicidade.
Quero deixar claro que meu intuito não é polemizar essa
questão, mas sim compartilhar com vocês minhas percepções. Agora vamos ao panorama histórico, e também aos dados atuais.
A mulher
A mulher só pôde exercer seu papel cívico com o voto a
partir de 1932, e infelizmente ainda existem pessoas que acreditam que a
articulação feminina se restringe apenas as questões operacionais,
preferencialmente aquelas onde elas não atuam na gestão. Atenção aos que
pararam no tempo: isso ficou no passado. Apesar dessas discrepâncias, é gratificante perceber que atualmente
existem muitas mulheres ocupando cargos estratégicos, e outras que estão em
profissões que outrora eram ocupadas apenas por homens, entretanto ainda não
existe equidade entre as oportunidades no mercado devido à questão de gênero. Segundo pesquisa realizada em 2017 pela Catho
(foram avaliadas oito funções, de estagiários a gerentes) as mulheres ganham
menos que os homens em todos os cargos.
O negro
Pensar na questão do negro é pensar em meu pai, em parte dos
meus parentes, nos meus amigos chegados, e também naqueles que eu não conheço. Sendo
assim, só gostaria que refletíssemos na degradação histórica que os negros
viveram. A lei Áurea de 1888 simplesmente dispersou negros no país, pois o fim
da escravatura se deu devido à pressão que a coroa portuguesa sofreu da
Inglaterra, ou seja, não houve uma boa ação. Foi um tratado comercial, e os
negros não receberam apoio do Estado para que tivessem o mínimo ao seu dispor.
Sendo assim, foram viver em morros em condições insalubres. Morros que foram
batizados de favela devido ao seu amontoado de casas e barracos que externam bagunça, e agora chamam de comunidade porque parece melhor aos ouvidos. Se tornou um nome comercial. Enfim, pense em quantos negros
fazem parte da sua equipe, do seu condomínio, e em quantos professores negros
lhe deram aula na faculdade.Só por hoje não discutamos meritocracia, repare no que eu digo e tire suas conclusões.
Importante: Você sabia que no Brasil temos apenas uma CEO negra? Reflita, apenas isso.
Importante: Você sabia que no Brasil temos apenas uma CEO negra? Reflita, apenas isso.
A homossexualidade
O Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo, e
isso é muito preocupante, afinal somos um país dito como cristão, sendo assim,
esse fato fica incoerente. Relaciono esses fatores, pois a atuação nos negócios
é o reflexo do quadro social em que vivemos. Então minha dica é a seguinte:
respeite aquilo que não entende. Piadas maldosas servem apenas como um caminho
para a soma de ódio. E apesar dos
fatores negativos dessa conjuntura regada a ódio, coisas boas também acontecem.
Grandes organizações estão desenvolvendo departamentos voltados para a questão
da diversidade, por exemplo, o Carrefour possui travestis em seu quadro no
atendimento ao público. E isso é positivo, pois antes de qualquer escolha ou
característica, qualquer pessoa nascida em território nacional tem direito à
saúde, educação e moradia. Ah, mas eu não concordo e blá, blá, blá. Dica dois:
siga a dica um.
A religião
O Brasil é um país laico, ou seja, a prática de fé é
pessoal. Não há obrigatoriedade nesse quesito. Costumo dizer que meu relacionamento com Deus me impulsiona
para o amor, então que a minha fé seja baseada apenas nessa prática. Caso
contrário, serei um cidadão e colaborador intolerante. Afirmo isso, pois já me deparei com isso; certa vez no ambiente corporativo me questionaram
do que eu havia me livrado, porque em comunidades religiosas só existem ex alguma
coisa. E esse tipo de situação só traz exposição, ridicularização e preconceito. Sendo assim, empatia pode
fazer toda a diferença, principalmente no ambiente de trabalho.
O pobre
Quero falar da pobreza em seu conceito literal, pois
não há nada para ser romantizado em sua dura realidade. Tive uma aluna que
recebeu uma ligação para uma oportunidade de emprego, mas quando ela informou
que morava no Paraisópolis desligaram. Simples assim, desligaram porque ela mora em uma favela. Ser pobre em algumas situações não se enquadra apenas em um fator de classe
social, isso também pode ser um estigma que te limita. E não importa
se você é mulher, homem, negro, gay ou religioso, pois ser pobre é viver
segregado. Conseguir uma boa colocação, fazer faculdade e alçar novos patamares é um desafio muito grande. Crescer é avançar uma muralha. Entendo que força de vontade é essencial, mas entendo que meritocracia nesse país é uma escada onde a sociedade pede para que aleijados subam sozinhos.
Exemplificando: Santiago é um menino rico e branco, aprendeu inglês aos 06 anos, passou a vida estudando em boas escolas, viajou em todas as suas férias, foi preparado para as melhores universidades, se tornou trainne, e aos 26 anos é diretor em uma grande organização. Pedro é um garoto pobre, preto, nordestino, morador de uma favela, estudante de escolha pública e sonha em fazer faculdade. Seus pais ganham um salário minimo, eles não viajam nas férias. Na verdade não conseguem visitar sua cidade natal desde que chegaram em São Paulo. Terminando o ensino médio conseguiu uma bolsa integral, fez administração, conseguiu algumas oportunidades, e aos 26 anos iniciou seu curso de inglês. Atualmente ele é Analista Administrativo Júnior, mas está se esforçando para crescer.
Não existe problema em ser rico, e ninguém é vitima por ser pobre, entretanto vivemos em um país onde as oportunidades não estão para todos. O abismo é maior do que pensamos, então saibamos que a concorrência não é nem de perto igualitária.
Exemplificando: Santiago é um menino rico e branco, aprendeu inglês aos 06 anos, passou a vida estudando em boas escolas, viajou em todas as suas férias, foi preparado para as melhores universidades, se tornou trainne, e aos 26 anos é diretor em uma grande organização. Pedro é um garoto pobre, preto, nordestino, morador de uma favela, estudante de escolha pública e sonha em fazer faculdade. Seus pais ganham um salário minimo, eles não viajam nas férias. Na verdade não conseguem visitar sua cidade natal desde que chegaram em São Paulo. Terminando o ensino médio conseguiu uma bolsa integral, fez administração, conseguiu algumas oportunidades, e aos 26 anos iniciou seu curso de inglês. Atualmente ele é Analista Administrativo Júnior, mas está se esforçando para crescer.
Não existe problema em ser rico, e ninguém é vitima por ser pobre, entretanto vivemos em um país onde as oportunidades não estão para todos. O abismo é maior do que pensamos, então saibamos que a concorrência não é nem de perto igualitária.
Enfim, mediante a esse diagnóstico fica claro que o Brasil é um país com uma sistemática
segregatória, e eu entendo que perceber a relevância da diversidade é estimular
uma sociedade voltada para ações
altruístas. Sei que temos muito o que melhorar, mas é preciso entendermos que a diversidade faz parte de todos, e quando isso for percebido como meio empoderador nos tornaremos mais conscientes de nossos atos. Dessa forma, as organizações ganharão. Todos ganharão.
Um grande abraço, até o próximo café.
Um grande abraço, até o próximo café.
Links de referência:
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/05/1884666-brasil-patina-no-combate-a-homofobia-e-vira-lider-em-assassinatos-de-lgbts.shtml
https://www.napratica.org.br/mulher-negra-e-brasileira-conheca-rachel-maia-ceo-da-pandora-no-brasil/
https://www.napratica.org.br/mulher-negra-e-brasileira-conheca-rachel-maia-ceo-da-pandora-no-brasil/
Adorei, Almir! Achei seu artigo claro e bastante imparcial. Beijos
ResponderExcluirVi, muito obrigado por acompanhar meus textos. Um beijo grande
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