Vamos falar sobre feedback?
O termo inglês feedback em suas variações pode ser traduzido como comentário ou resposta, ele é usual e presente no meio corporativo. A prática do feedback surge através da necessidade de um parecer referente aos nossos anseios e ações profissionais. De 2007 a 2009 fui Menor Aprendiz no Unibanco, e dentro dessa função não havia uma métrica oficial para um contrato de metas, ou o tão falado feedback. Recordo de sentir os colaboradores preocupados e atentos para esse momento com a gestão, fora isso, eu não entendia mais nada. Percebia que após o feedback a equipe retornava mais quieta, sorrindo pelos cantos da boca, suspirando fundo ao logar em seus computadores, e alguns seguindo em duplas para breves conversas de corredor. Somos seres curiosos, e todo mundo gosta de saber onde o calo apertou em cada pé, não é mesmo? Confesso que à princípio sentia um pouco de receio sobre esse processo, mas posteriormente todos se mostravam mais focados. Quem atrasava, não atrasava mais; quem ficava papeando sobre as calotas polares se tornava mais prudente nas falas; e eu só acompanhava as mudanças em minha órbita especuladora. Logo após eu percebia discussões sobre contratos de metas, prazos, e a viabilidade de cada ação. Fiquei tão inquieto com tudo isso que decidi pedir ambas coisas para a minha gestora: um feedback e um contrato de metas. Sendo assim, fui orientado a entender em que eu poderia ajudar cada analista, e posteriormente pediria um parecer para cada um deles sobre as minhas atividades. Os funcionários do banco acompanhavam suas demandas via sistema, e eu tinha uma folha A4 pendurada em minha baia, porém esse fato não tirava a legitimidade dos meus desafios. Me senti tão importante por ter um contrato de metas, mesmo sendo em uma folha impressa. Passei a acompanhar as atividades, e também a realizar algumas delas sozinho. Às vezes me via para sempre naquela rotina pelo simples gosto das tarefas. Quem passou pelo Unibanco sabe do que estou falando. Certo, o mundo girava, as semanas passavam, e eu não havia tido um feedback oficial. Para viver aquele rito reservei salas de reunião conforme a disponibilidade de cada analista, afinal, agora eu estava de fato vivendo a realidade do mundo dos negócios. Todos começaram com elogios, e posteriormente com sugestões de como minhas ações deveriam ser modificadas; escrevendo esse texto revivo cada momento de forma ímpar, e de todas as conversas a que mais mexeu comigo foi a de uma analista que trouxe uma situação onde eu havia agido de forma equivocada. Uma demanda estava comigo, e seria necessário coletar dados junto à gerentes da área comercial, mas como meu horário era das 09h até às 15h da tarde não teria como esperar para que aquela informação me fosse passada depois, e eu informei isso a gerente comercial. Eu vivia preocupado, pois tinha gente do RH de olho no horário dos aprendizes, então não dava para falhar nisso. Essa justificativa no todo não estava errada, entretanto ela me disse: Almir, jamais imponha para alguém sua condição sem que tenha outra possibilidade em mente. Ou seja, eu deveria pensar estrategicamente, e não me colocar em uma condição especial ou inferior. Como integrante da equipe outras possibilidades deveriam vir, menos uma justificativa fraca onde minha credibilidade entraria em jogo. Um exemplo: sabe aquele atendimento que lhe trouxe aborrecimento, e em seguida você ouviu que a pessoa era nova no estabelecimento? Então, ela pode até ser dita, porém não é uma justificativa aceitável. Com isso, o vínculo de relacionamento perde força. E é nesse ponto que eu quero chegar: força de vínculo. Claro que após essa conversa não mudei de função imediatamente, e eu digo isso porque já acompanhei em minha carreira profissionais que contavam que essa fosse a única oportunidade do ano para que pudessem questionar sobre seu encarreiramento, entretanto, isso pode acontecer em outros momentos. Convide sua gestão para um café, e você, gestor, faça o mesmo. Isso vai fazer toda diferença na sinergia entre vocês. A situação citada acima me fez entender que como parte da equipe eu não estava sozinho. Essa conversa foi tão impactante que todos perceberam que algo havia mudado, pois eu queria mudar, e de fato mudei. Por mais amedrontador que ele pareça, saiba que o feedback pode ser uma ferramenta que potencializa seu desenvolvimento. Claro que isso é um fator que contempla duas esferas: o colaborador e a gestão. Mas se ambos estiverem alinhados conforme o propósito da organização, todos sairão ganhando. Todos se sentirão parte do mesmo time, e o contrato de metas será atingido. Não, atingido não, superado. É assim que se cresce. Até o próximo café.
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