Postagens

Eu desejo que a vida te afague

Em alguns momentos penso em discutir sobre a realidade, mas a realidade demasiada me fadiga. E em minha mente, crio uma atmosfera apenas minha, onde vivo meus desejos mais insanos. É engraçado classificar a vontade de se viver plenamente como ponto de insanidade. Sempre ouvi de muita gente que eu sou maluco, meio doido, sem juízo, porque eu sempre fui expansivo, falante demais, e sobre tudo, com humor duvidoso que faz com quem tá por perto dar risada ou ficar desacreditado do pequeno absurdo que eu falei. É uma vibe tio do pavê e sitcom de baixa audiência. Nunca pensei nessa descrição, mas gostei dela e achei que faz bastante sentido. Hoje, tento não me reprimir mais, porque nunca fui um homem que transborda macheza. Eu não gosto de futebol, nunca cocei o saco e cuspi no chão em seguida. Isso pode parecer caricato, mas acho que os ideais da sociedade perpassam esses rascunhos caricatos. Que no final, demonstram que é um processo pesaroso a gente ser quem é. Porque vão questionar sua se...

Para que matar o amor romântico?

A estrutura social apresenta uma série de receitas sobre como deve ser o amor romântico, e também de como essa trajetória deve seguir. É tudo muito clichê e cheio de mesmice. Mesmo assim, isso não deixa de ser cativante. O amor cativa, a paixão castiga e o tesão faz com que a gente lembre que existem muitos desejos a serem desbravados.  O romantismo não é um problema, ele está presente em filmes, livros, músicas e dentro da gente. Esse sentimento é gostoso, e eu não acho nenhum pouco piegas se permitir sentir, desde que exista reciprocidade dentro da história que você está vivenciando. Indiferente se homens ou mulheres, todo mundo em algum momento da vida precisa se permitir a cafonice ou a emoção. É errado ser emocionado? Essa questão é problemática, porque cada pessoa é um mundo. E no final, a gente só tem que garantir que não está perdendo tempo massageando ego alheio.  Nos últimos anos ouvi algumas vezes que eu deveria desmistificar a idealização do amor romântico, e eu te...

Carta aberta para todos aqueles que acreditam que o amor é um bom sentimento

Essa é uma carta aberta para todos aqueles que acreditam que o amor é um bom sentimento, e que apesar de algumas dores e caminhos íngremes, ele pode acontecer. Talvez possa acontecer da maneira mais romântica para alguns e de uma forma mais prática para outros. Tem gente que conhece seu grande amor no carnaval e tem gente que se apaixona através do Tinder. Sempre acreditei que o amor fosse ser um acontecimento em minha vida, aquele tipo de acontecimento merecedor de um feriado nacional, trilha sonora e esquecimento da realidade. Coisa de libriano com lua em peixes? Não sei, mas minha mãe pisciana criou um grande emocionado. Isso parece um desafio, né? No geral, sim. E a resposta não se faz devido aos homens e mulheres que quis amar. É mais profundo. Toda vez que eu quis amar, acabei deixando muito de mim no outro, depois fiquei vazio. Meio sem graça, sem muita fé ou expectativa para outros relacionamentos. Então, após uma decepção, eu sempre gostei de criar meu hiato pessoal, trazendo ...

Conversa com Freud

Eu estava em um barzinho desses que nada é muito caro, então, entre um drink e outro, um senhor sentou ao meu lado. Puxou assunto e disse que estava escrevendo um livro. E que buscava histórias de anônimos que quisessem estar no livro. Conversamos, tomamos mais uns drinks. Eu não sabia se valeria falar da minha história ou reviver dores, mas decidi contar. Falei sobre alguém que amei muito, mas que decidiu ir embora. Ele pediu detalhes e penso que o leitor também espera por eles. Vamos lá!  Era janeiro de algum ano. E janeiro é um mês de pensar em como será o desenrolar do ano. Planejei algumas coisas, menos me apaixonar. Nos conhecemos através de uma rede social, coisa comum para quem vive nos anos 2000. Um tempo depois estávamos nos falando diariamente. Nos conhecemos pessoalmente, depois quis me esquivar, mas não consegui. Percebi que poderia perder alguém especial. Três meses depois estávamos namorando, planejando passeios pela cidade e certo de viagens a curto prazo. Entretant...

Cuide de si e de quem te quer bem

Uma amiga muito querida sempre diz que gosta de ler meus textos sobre amor, mas na verdade, eu não sei escrever sobre amor. Eu escrevo sobre como me relaciono com meus afetos, desamores e todas as histórias que surgem dentro da minha mente. Elas não são mentira, apenas nunca acontecerão. Pelo menos da forma que eu escrevo. Por isso, passei a apagar muitos textos que escrevi ao longo de 2022. Por acaso, eu e minha amiga estávamos conversando sobre amor, paixão e vontade recentemente. Afinal, a gente gosta de batizar os sentimentos afetuosamente, mas o caminho é mais simples do que a gente pensa: tudo cabe na vontade! Todo começo é pautado em interesse, vontade e desafio.  O interesse move esforços e faz com que distâncias sejam desconsideradas. Então, segundas-feiras se tornam finais de semana. Não tô sendo fantasioso a ponto de desconsiderar as responsabilidades do cotidiano, mas todo mundo que já se apaixonou viveu algo similar, mesmo sem perceber. Porque a vontade de presença é o...

A primeira crônica de 2022 para Ana e Paulo

Ana andava cansada de tudo. O ano anterior havia sido dolorido demais, pesado por uma série de motivos. Então, decidiu deixar sua cidade. Anápolis já não cabia mais nada de si. Ela precisava expandir. Chegou em São Paulo e fez morada entre o cinza da cidade. Voltou a escrever poesias mesmo errando algumas conjunções, vírgulas e afetos. 2022 chegou, e ela conheceu Paulo na internet de forma despretensiosa. Pense em um rapaz bonito, alto, com um sorriso largo, olho rasgado e uma docilidade nas palavras. Ana estava embrutecida. Calejada por ter vivido curtas tragédias sentimentais. Por isso, havia decretado um hiato eterno para afetividades. Vamos usar o termo eterno para fingirmos que se tratava de uma decisão irrevogável, mas na verdade, ela só queria dias de sossego. Mas Paulo havia cismado com Ana. E isso acontecia, porque algum ritmo em comum havia feito com que aquele encontro acontecesse.  No final de janeiro, se encontraram na casa da Ana. Para um primeiro encontro, já havia m...

Vamos tomar Doiis Cafés e mais alguns?

A maioria dos meus textos são compostos com títulos terminados com interrogações. São perguntas de mim mesmo para o mundo. Para alguns, isso é estratégia para call to action (termo em inglês utilizado no Marketing para chamar a atenção de quem recebe uma mensagem), e talvez tenha sido assim em algum momento, porque como especialista em Comunicação, algumas coisas são mais naturais do que pensadas quando eu escrevo. Entretanto, meus títulos com interrogações fazem mais que isso em mim. Não são apenas textos ou frases para chamar a atenção. É sentido vasto de muitas conversas que aconteceram e acontecerão. É um começo, meio e despedida de alguns assuntos.  Desde o começo da pandemia tenho tentado me colocar no mundo da forma mais justa possível, onde me ajeito entre caminhos e palavras. Talvez eu não seja tão parecido com o Almir de 02 anos atrás. Mas ainda sou o Almir, e se você não conhece outro, volte aqui, preciso me apresentar a você.  Lya Luft é uma das escritoras que mai...