O que vem após o setembro amarelo?

É muito importante pensar no setembro amarelo, porque é o mês da campanha nacional de combate ao suicídio. Algo que foi iniciado em 2015, e graças as mídias sociais ganha maior notoriedade no período. Entretanto é necessário pensar no suicídio ao longo do ano, e também nas demais questões de saúde mental que norteiam a atualidade. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), houve um aumento nesse índice com relação ao Brasil, comparado ao restante do mundo que está em recuo com relação a essa questão. Em 2019, foi identificado um aumento de 7% nos últimos seis anos. 

Penso que antes da decisão de tirar a própria vida, existem fatores anteriores que norteiam essa ação. Claro que isso não é um padrão, mas a maioria dos casos está atrelado à depressão. Minha avó materna teve depressão por muitos anos antes de falecer, mas vim entender o que era a doença de fato quando uma colega de trabalho foi afastada. Cito esse exemplo porque descobri que a atenção acaba se voltando na maioria das vezes quando a questão é externa, porque quando o problema está em casa, ou com alguém muito próximo, o costume acaba ocupando o lugar da sensibilidade. 

Ainda trazendo dados da OMS, temos quase 12 milhões de depressivos e ansiosos no país. Tendo uma crescente nos últimos dez anos, e prevendo estatísticas futuras maiores ainda. Ou seja, isso é muito preocupante. Vivemos tempos líquidos, onde o parecer de fato é mais importante do que ser quem de fato é. Gosto muito das redes sociais, mas parei para analisar o contexto de cada uma, e algumas opiniões em comentários e desabafos, então cheguei a esse parâmetro grosseiro: O Facebook virou ringue político e de fakenews, o Instagram é o Olimpo da felicidade inalcançável, o Linkedin te faz parecer incompleto profissionalmente, e o Whatsapp é a forma de não nos sentirmos sozinhos. 

Não tiro o mérito e a importância de cada uma dessas ferramentas, porque para alguns são apenas aplicativos de Smartphone, mas na verdade se tornaram ferramentas de estratégia empresarial. Lá em cima citei sobre a difusão do setembro amarelo por conta das mídias sociais. O que foi bom, mas mesmo assim, recebemos uma quantia excessiva de informações diariamente, mas o que dessa informação acaba apetecendo, ou quanto dela trás desgaste mental? É preciso ter muito senso para analisar como se está, porque penso que falta pouco para nos tornarmos a sociedade do burnout, traduzindo, sociedade do esgotamento.  

Então, minha dica é que estejamos atentos à nós, e também aos demais, porque uma conversa com um bom amigo pode fazer toda a diferença. Não deixem de cuidar do corpo e mente. Terapia é um processo de autoconhecimento. Psiquiatra não é apenas para quem está crazy, maluco, é para cuidar da mente que pode comprometer todo o corpo. E se você não está bem, porque é doloroso existir, ligue para 188. Esse é o número do CVV (Centro de Valorização a Vida), eles poderão te ajudar. Desistir da vida nunca é a melhor saída. 

Por Almir Santana 

Comentários

  1. Ótima reflexão, principalmente na parte que fala sobre as fantasias das redes sociais, nada substitui o contato humano e o dialogo, seu texto é extremamente informativo.

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